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Livro: Firelight
Série: Firelight
Autora: Sophie Jordan
Editora: Agir
Páginas: 272
Resenha por: Patoka
Compre: Saraiva
A jovem Jacinda é especial. Além de pertencer a uma espécie descendente de dragões cuja maior habilidade é poder alternar entre a forma humana e a animal – os draki -, ela é uma das únicas de seu clã que consegue cuspir fogo. Quando uma atitude rebelde ameaça a existência dos outros membros de sua comunidade, ela e sua família têm que fugir e viver disfarçadas entre os humanos. Na nova escola, Jacinda precisará esconder seu segredo de todos e aprender a controlar seu espírito draki, que teima em se manifestar logo na presença do belo e charmoso Will, um caçador de dragões. Os dois se apaixonam e irão fazer de tudo para que os muitos segredos e diferenças que os separam não os impeçam de viver esse amor.
Firelight surgiu como uma brisa fresca para aqueles que como eu estavam sufocados como em uma tarde verão pelos milhares de livros sobrenaturais que não tinham mais nada para oferecer além de vampiros, lobisomens e anjos. Com uma narrativa rápida e envolvente, a autora conseguiu chamar a atenção para seu livro como algo novo no meio de tantos livros sobre o tema.
Jacinda é uma Draki. Evolução natural dos dragões já extintos e que vivem escondidos em vales e lugares de pouco acesso, reunidos em clãs. Ela vive uma vida de uma garota normal em sua aldeia: tem amigos, anda de bicicleta, vai à escola, vê tv etc. A única diferença é que ela pode se transformar e voar, apurar seus sentidos e está prometida ao filho do chefe do clã. Jacinda tem uma habilidade: é a primeira cupidora de fogo de gerações de drakis, o que faz com que seu valor perante os anciãos da aldeia seja superestimado. Poucos sabem da existencia dos Drakis, e esses poucos os caçam. E numa dessas caçadas a vida de Jacinda dá uma reviravolta e ela é obrigada a fugir com sua mãe e irmã para a cidade e conviver com os humanos.
A autora usa e abusa da descrição dos sentimentos e sensações vividas pela protagonista. Jacinda sente tudo ao extremo. Cheiros e ruídos, que geralmente passam despercebidos por nós, são captados pelos sentidos aguçados de rua raça. E isso leva o leitor a perceber mais as coisas a sua volta enquanto avança na leitura. Único ponto negativo é como narra a transformação de humana para draki. Ainda não consegui visualizar o ser final. Mas talvez isso seja um problema de interpretação pessoal.
Com uma narração em primeira pessoa, o leitor capta os medos da protagonista como uma enchurrada. Tamra, a irmã, é constantemente irritadiça, porém coberta de razão. Suas mágoas, reprimidas a tanto tempo, vêm finalmente à tona, o que a torna uma personagem na maioria das vezes considerada vilã. A mãe de Jacinda continua uma incógnita para mim. Não é uma mãe modelo, das que vemos na maioria dos livros considerados para adolescentes, que são quase sempre atenciosas, prontas para compreender os filhos e querer sempre o melhor para eles. Ela é forte e acha que está fazendo o melhor para Jacinda, mas gera um sofrimento tão grande na menina que até agora não consegui identificar sua real intenção!
Sophie construiu bem sua história: ritmada, com boas sequencias de ação, mistérios e um romance intenso sem ser meloso. O final é excitante. Todas as respostas ficam para o livro seguinte. A nós só nos resta aquele suspiro de frustração! Quando lança mesmo o segundo volume?

Ultima resenha copiada vo criar coragem e ler mesmo
créditos by : http://livrosemserie.com.br/
Como eu bruno estou fasendo e retirar as resenhas dos sites e dar os creditos e descobri que dia 28 tem provão e 29 prova de matemmatica
entao dia 30 a dia 5 vou postar depois 8 dias de ferias e volto a postar
resenha by: http://www.lendo.org/

Como todos os livros recebidos diretamente da editora, e como todo best-seller, comecei a ler o As Memórias do Livro com um pé atrás. A autora, Geraldine Brooks, é mais uma dessas jornalistas que descobriram seu fabuloso e divino talento para escrever ficção. Mas está bem. O romance foi vencedor do prêmio Pulitzer, concedido desde 1917 pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque; deve ter seus méritos. Só achei estranho o fato de Homer Simpson já ter ganho o tal prêmio.
As Memórias do livroHanna Heat é uma conservadora e restauradora de livros australiana que é chamada para estudar um famoso manuscrito datado do século XV: a Hagadá de Saravejo, um livro religioso dos judeus que possui esplêndidas iluminuras, coisa proibida na religião daquela época. O trabalho da phD de Sydnei é restaurar a misteriosa Hagadá que fora conservada (e salva) por um bibliotecário muçulmano.
Porém, ao examinar as páginas desgastadas — sempre sob o olhar de uma armada enorme de seguranças — ela percebe traços que podem revelar muito sobre a história daquela relíquia: a asa de um inseto, um fragmento de pena, manchas avermelhadas, um pêlo branco, cristais de sal, e outros. É através desses elementos que a história daquele livro é construída entre as páginas do romance.
A partir das pistas, começam-se a intercalar capítuos que oscilam entre o presente — com os diversos confltos e Hanna; e o passado — em ordem decrescente de data, é contada a história de cada um daqueles traços encontrados na Hagadá. Isso transforma o As Memórias do livro praticamente numa obra de contos, no qual várias pequenas histórias ajudam a elucidar a trama principal para o leitor e, de certa forma, para a própria Hanna, que passa por conflitos secundários com sua mãe, uma médica famosa que nunca perdoara o fato da filha ter seguido a carreira da arte, ao invés da medicina; com o bibliotecário muçulmano, com o qual ela se envolve; com seus amigos pesquisadores, que auxiliam com as análises das pistas; e, por fim, com a revelação de que seu pai fora um grande pintor australiano, cuja morte sua mãe estivera envolvida.
O enredo, como um todo, é interessante. Tem algumas cenas forçadas, é claro que tem. Mas atrai. Considero a personagem principal, Hanna, um tanto mal construída, principalmente nas questões emocionais: no início do livro ela fala sobre (e faz) amor e sexo como uma banalidade, um acontecimento ao acaso e esporádico. Não vejo verossimilhança numa atitude dessas vinda de uma grande estudiosa, phD em conservação de livros. Porém, no decorrer da narrativa, há indícios de que ela se apaixona pelo bibliotecário muçulmano — que é casado, e que ela dormira enquanto estava em Saravejo — , mas as relações com sua mãe pioram, até serem cortadas. Por outro lado, seus sentimentos afloram em relação ao pai (já morto), mas suas manifestações de amor continuam frias como no início.
De qualquer forma, esse é um aspecto para gente que estuda essas coisas analisar. O livro é também um romance histórico e dá pra aprender muito sobre conflitos religiosos, um pouco de nazismo, Segunda Guerra, Inquisição, e outros. Além de, é claro, sobre essa profissão diferente que é a conservação/restauração de livros.
Mais uma ves tirei a resenha do site : http://www.lendo.org/
Um site muito bom que me inspira muito
obrigado e prometo que assim que acabar as provas eu vou começar a ler denovo e continuar a faser resenhas
thank's
Att: Bruno gobbo

Ariel é um nome de origem hebraica que significa Leão de Deus. Sendo neutro, ele pode ser usando tanto para homens – como fez Shakespeare em sua peça A Tempestade, nomeando o Espírito do Ar – quanto para mulheres – como fez Hans Christian Andersen em A Pequena Sereia.
Contudo, atualmente o nome é muito mais usado como feminino. Comprovamos isso através do gráfico abaixo, que mostra sua popularidade no decorrer dos anos.
Ranking de Popularidade do nome Ariel
A razão por dar esse pequeno histórico do nome Ariel é para enfatizar a complexidade e a abundância de formas e significados que encontramos já no título dessa obra incrível escrita por Sylvia Plath e publicada pela Editora Verus aqui no Brasil.
Sylvia Plath suicidou-se em Londres em 11 de fevereiro de 1963. Tinha Apenas 30 anos.
Foi assim que começou a história desse clássico da poesia contemporânea. Produzido nos últimos doze meses da vida da autora, que deixou o manuscrito pronto para publicação e caprichosamente organizado ao dar fim a sua existência.
O que ninguém sabia até pouco tempo atrás é que o Ariel publicado em 1965 pelo marido de Plath era muito diferente daquele idealizado por ela. Ted Hughes eliminou do arranjo original treze poemas que considerou “pessoalmente agressivos” e incluiu outros treze, a maioria escrita em 1963.
Somente em 2004 o mundo pode conhecer o verdadeiro Ariel, publicado simultaneamente nos EUA e na Inglaterra pela filha de Sylvia. A edição trouxe o fac-símile dos manuscritos originais.
O livro é uma obra de arte, tanto literária quanto esteticamente. Cada poema traz ao lado a versão datilografada pela própria autora, pode-se, assim, verificar suas edições feitas manualmente e, quem conhece um pouco de inglês, comparar as nuances da tradução, que deve ter sido dificílima para conseguir manter a complexidade das imagens criadas pela poeta.

Não vou enganar vocês. Os poemas são extremamente densos e eu não recomendo o livro para leitores inexperientes. Vários deles exigem muitas releituras até conseguirmos captar o sentido e a relação com algum aspecto da vida da autora (sim, na minha opinião não existe eu-poético em Sylvia Plath; quem escreve é a própria), desde a traição pelo marido, a tentativa de suicídio quando criança, o amor por seus filhos e até um simples episódio de um corte no dedo.
Uma dica: no final do livro há uma breve explicação de cada um dos poemas. Mas quem prefere isso, ao invés de criar sua própria interpretação?
Esboços do poema ArielO poema principal, evidentemente, chama-se Ariel e o livro traz, inclusive, os esboços escritos e rabiscados pela poeta.
No entanto, elegi como meu favorito o poema Lady Lazarus, o qual tomo a liberdade de transcrever a interpretação que o livro traz e o primeiro trecho:
Lady Lazarus: 23-29 de outubro de 1962. Plath: “O narrador é uma mulher que possui o grande e terrível dom de renascer. O único problema é que ela tem de morrer primeiro. Ela é a Fênix, o Espírito Libertário, o que você quiser. É também uma mulher bem sucedida, boa e honesta”. Nazi lampsahde, Jew linen (abajur nazista, linho judeu): além de referências a suas tentativas de suicídio, são cada vez mais presentes em sua poesia imagens do Holocausto e da sina dos judeus, aqui fundida, na pele de uma stripper, com a passagem Lázaro, na Bíblia, ressuscitado por Cristo depois de três dias morto numa cova. Isadora: referência à morte da dançarina Isadora Duncan, enforcada com a própria echarpe, que se enroscou na roda de um carro.
Lady Lazarus
Tentei outra vez.
Um ano em cada dez
Eu dou um jeito –
Um tipo de milagre ambulante, minha pele
Brilha feito abajur nazista,
Meu pé direito
Peso de papel,
Meu rosto inexpressivo, fino
Linho judeu.
Dispa o pano
Oh, meu inimigo.
Eu te aterrorizo? –
O nariz, as covas dos olhos, a dentadura toda?
O hálito amargo
Desaparece num dia.
Em muito em breve a carne
Que a caverna carcomeu vai estar
Em casa, em mim.
[...]
E como terminar de falar sobre um livro assim? A poesia de Plath sequer nos permite o silêncio. Como um grito, ela ecoa por nossos ouvidos e estremece nossas mentes até revelar nossas fraquezas.

Creditos ao site no topo do post;

Essa resenha foi escrita por Leonardo da Silva, graduando do curso de Letras da UFSC, e contém spoilers.

essa resenha eu peguei no site : http://www.lendo.org/
pois  estou sem tempo no momento para ler estou cheio de provas por isso tinha parado de postar mais ainda estou em provas mas estou postando do mesmo jeito;
Att: Bruno gobbo

Recentemente, J.K. Rowling, a criadora de Harry Potter, lançou Os Contos de Beedle, o Bardo (Rio de Janeiro: Rocco), mesmo após ter declarado que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, o sétimo livro da série, encerraria a saga do bruxo. De fato, neste livro não sabemos nada mais de Harry, já que nem mesmo ele é citado na obra. Entretanto, Beedle nos leva de volta ao mundo dos bruxos, ao universo de Harry Potter; além disso, seus contos, como se sabe, foram citados e lidos por seus colegas de escola. A propósito, segundo Rowling, o que a levou a publicar essa coletânea de histórias (já foram publicados “Animais fantásticos e onde habitam” e “Quadribol através dos séculos”) foi uma “novíssima tradução dos contos feita por Hermione Granger”, a amiga sabida de Harry Potter.


Os contos de Beedle, o bardoO livro de Rowling traz cinco “histórias populares para jovens bruxos e bruxas”, mas que, com as notas explicativas da autora, podem ser perfeitamente lidas pelos “trouxas” (como Rowling se refere às pessoas sem poderes mágicos, como nós). Nessas notas, Rowling esclarece alguns termos próprios do mundo dos bruxos como, por exemplo, “inferi”, que, “são cadáveres reanimados por magia”.
No mundo dos bruxos, Beedle, poder-se-ia dizer, tem a importância do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen e suas histórias se assemelham em muitos aspectos aos nossos contos de fada. Aliás, seus contos tiveram o mesmo destino dos nossos contos de fadas, ou seja, caíram no gosto das crianças e, como lemos no prefácio do livro, são usualmente contadas antes de dormir. Ademais, como afirma Rowling, nesses contos, assim como costuma acontecer nos contos de fadas, “a virtude é normalmente premiada e o vício castigado”.

Nos contos de Beedle, no entanto, a magia nem sempre é tão poderosa quanto se pensa: seus personagens, apesar de serem dotados de poderes mágicos, não conseguem resolver seus problemas somente com magia. As histórias mostram, desse modo, que ao contrário do que se pensa, a mágica pode tanto resolver quanto causar problemas ou pode também não ter efeito nenhum.

Quanto às heroínas do livro, elas são em geral bem diferentes daquelas dos contos de fada “tradicionais”, ou seja, ao invés de esperarem por um príncipe que as venham salvar, elas enfrentam o próprio destino. No conto “A Fonte da Sorte”, por exemplo, são as três bruxas, Asha, Altheda e Amata, que procuram (juntas) a solução para seus próprios problemas. Elas buscam amor, esperança e a cura para uma doença na chamada “fonte da sorte”. Ao final da estória, elas alcançam aquilo que desejam, muito mais por méritos próprios do que pela magia das águas da fonte que, mesmo sem saberem, “não possuíam encanto algum”.
Na verdade, os heróis dos contos não são aqueles com maiores poderes mágicos, mas sim aqueles que demonstram bom senso e que agem com gentileza. Um exemplo é “O conto dos três irmãos”, onde o irmão mais novo, ao se confrontar com a Morte “em pessoa” não tenta trapaceá-la nem fazer mal a alguém. Desse modo, ao contrário dos seus irmãos, ele tem um final feliz, pois “acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida”.

Para aqueles que sentiam falta de Dumbledore, o poderoso mago Diretor de Hogwarts, J.K. Rowling mata um pouco da saudade: no final de cada conto, há explicações e comentários do bruxo, os quais foram encontrados após sua morte. Suas explanações são bem pertinentes: elas mostram, por exemplo, que no mundo dos bruxos existia um preconceito contra os não-bruxos (os “trouxas”), há ponto de excluí-los dos contos, ou dar-lhes apenas o papel de vilões, e também alertam para o fato de que alguns dos contos foram censurados ao longo da história e adaptados para que se tornassem “adequados para as crianças”. Isso se assemelha muito àquilo que aconteceu com os contos de fada de um modo geral, os quais sofreram mudanças no enredo para que pudessem se adequar melhor à escola e ao mundo da criança. No entanto, os contos que nos são apresentados no livro são, segundo Dumbledore, os originais, ou seja, são os contos escritos por Beedle há muito tempo, sem adaptações.

Outras questões são trazidas à tona nos contos: amor, tolerância, sentimentos e, como se viu, até mesmo a morte. Isso porque as histórias mostram como a magia não pode resolver tudo e o quão inútil é lutar contra a morte. Sabe-se que a mágica não é capaz de restituir o bem mais precioso: a vida.
Os contos, traduzidos por Hermione Granger das runas, são inéditos, com exceção de “O conto dos três irmãos”, uma história contada para Harry, Rony e Hermione no sétimo livro da série de aventuras de Harry Potter (no capítulo 21, que leva o mesmo título do conto), que tem papel crucial no fim da saga do jovem bruxo.

Quanto às ilustrações do livro, quem as assina é a própria J.K. Rowling, que doou parte do lucro obtido com a venda de Os Contos de Beedle, o Bardo para o “Children’s High Level Group”, uma organização responsável por ajudar cerca de um quarto de milhão de crianças a cada ano.

Em Os Contos de Beedle, o Bardo, sentimo-nos de volta ao “mundo mágico de Harry Potter”. Pena que as 103 páginas do livro acabem tão rápido: para o leitor entusiasta do mago inglês e acostumado com as suas aventuras narradas ao longo de mais de 700 páginas fica um gostinho de “quero mais”. Depois de Beedle, resta aos fãs da magia de Rowling esperar até julho de 2009, quando será lançada a primeira parte do sexto filme baseado na saga de Harry Potter, “Harry Potter e o Príncipe Mestiço”.

No mundo dos livros, no entanto, parece que finalmente (e infelizmente), a saga de Potter ganhou seu ponto final. Será?
Será que você teria coragem?
Pacto Secreto, Eliane Quintella, 1ª Edição, São Paulo: Novo Século - Novos Talentos da Literatura Brasileira - 2011, 357 páginas

Imagine um tema que a maioria das pessoas considera como um tabu. Imagine agora uma história simples e envolvemente. Por fim, imagine isso escrito por uma brasileira. É isso que acontece em Pacto Secreto, livro escrito pela nossa parceira, Eliane Quintella, e dividido em três partes. Eliane, como já foi dito em um post recentemente, começou a escrever ainda garota para o jornal do bairro em que morava. Formada em Direito, começou a escrever Pacto Secreto durante um mês que precisou ficar em casa devido a um pulso quebrado. Além deste livro, Eliane tem um segundo livro que em breve será lançado.

Pacto Secreto é contado por Valentina Soares, uma linda mulher, independente, que tem uma situação financeira muito boa. Quando Tina, como é conhecida, perde o pai, passa a tomar conta dos negócios da família, no entanto, certo dia, ela e sua irmã gêmea, Sara, estão na chácara da família, no interior do estado de São Paulo, e uma tragédia acontece: após as irmãs trocarem seus cavalos, Sara sofre um acidente e fica tetraplégica. Tina não se conforma com o que aconteceu com sua irmã. Deixa de ser uma mulher feliz, sentindo-se sempre culpada pelo o acidente, já que foi ela quem insistiu para que as irmãs trocassem de cavalo. Em desespero, Tina pede ajuda, mesmo que essa viesse do diabo, e certa vez, quando ela resolvera sair, depois de muito tempo, encontra com um homem que chamou sua atenção pela beleza incomum: era um enviado de Satan. Nesse encontro com o enviado, ele diz à Valentina que poderá ajuda-la, basta que ela aceite fazer um pacto, que poderia lhe conceder qualquer pedido, mas para este pacto se concretizar haveria regras. Logo Tina vê a chance de ajudar a sua irmã, mas para isso, precisa pensar muito, já que poderia estar entregando sua alma ao diabo.

O livro se desenrola  na busca por informações sobre o tal pacto secreto que o enviado havia proposto à Tina. A única certeza que Valentina tinha, era que aquilo poderia ser a única chance de ajudar a sua irmã, visto que nem mesmo todo o dinheiro que a família possuía pôde ajudar Sara. Para tentar descobrir o que fazer, Tina faz pesquisas em livros, na internet, e tem inclusive a ajuda de seu falecido pai. Conforme vai descobrindo mais sobre o assunto, a protagonista descobre que na verdade o acidente foi proposital, com a intenção de que a própria sofresse o acidente. Descobre também, que o time do ser lá de baixo (leia diabo) é muito maior do que ela pensa.

Eliane escreveu esta estória de uma forma tão simples, que em nenhum momento você se cansa da leitura, muito pelo contrário, você quer apenas devorar as páginas para saber se Tina irá ou não assasinar o pacto. - peço desculpa à própria Eliane pela demora na leitura, mas é que falta tempo - Apesar de ter muitas personagens - cozinheiras, enfermeiras, enviados, a família, as amigas - a maioria das personagens são muito bem caracterizadas, muitas vezes até fazendo com que você se apaixone por uma, ou por outra (seja os enviados, ou os meros mortais). Dentre esses inúmeros personagens, há sempre aquele que você tem vontade de matar (rs) como acontece com Carla, e também aquelas personagens que te dão água na boca, que é o caso das cozinheiras da família de Valentina, que pelo visto cozinham muito bem.

"Eu estava com um vestido preto maravilhoso e estava me achando particularmente linda naquela noite. De alguma forma, eu ficava muito bem de preto, combinava com meus cabelos negros, meus olhos verdes e minha pele clara. Sempre fui muito bonita. Porém, tinha passado um bom tempo em que eu não ligava muito para mim; eu vivia mecanicamente e sem ânimo algum."

Deixando de enrolar... como disse no inicio, é um tema que mesmo fascinando muitos, não é tanto falado, apesar de grandes clássicos que vemos sobre o assunto. Eliane soube caracterizar todos os enviados de uma forma totalmente diferente do imaginário. Ao contrário de muitas histórias em que alguém deseja fazer o pacto por dinheiro, amor ou sucesso, neste livro em nenhum momento a personagem deseja isso. Apesar de ter crescido em uma família que acredita em Deus, ela não procura o diabo por ser ambiciosa: Tina queria apenas a recuperação de sua irmã. Além de uma história muito envolvemente, o livro é ainda cheio de informações, seja com passagens da Bíblia, ou com estórias sobre outras pessoas que passaram por isso, como é o caso de São Cipriano - que apesar de conhecer, não sabia sobre sua história, o que me agradou ainda mais.

O final da história tinha tudo para ser comum, mas é aí que entra a segunda parte, contada agora por Sara. Acredito que se não fosse isso, podería dizer que o livro deveria ter acabado algumas páginas antes, até por que, já sabíamos o que iria acontecer. Criei uma enorme expectativa logo que vi a capa, e mesmo assim, a mesma capa é talvez um dos pontos fracos do livro. Acredito que falte alguma coisa do livro - se é que me entendem - para abrilhantar ainda mais esta capa que por sinal é belíssima. Como vi em algumas resenhas antes de ler, as falas são um tanto quanto inexistentes, e talvez este seja o ponto fraco do livro de Eliane. Ou não?

Queria agradecer demais a autora, Eliane Quintella, por ter disponibilizado um exemplar do livro para que essa resenha pudesse ser feita. Parabeniza-la também pelo livro e pela forma como escreve, que apesar de alguns detalhes, é realmente muito interessante. Espero que gostem da resenha, e principalmente do livro.
  
O Amante, Marguerite Duras, Rio de Janeiro: O Globo; São Paulo: Folha de São Paulo, 2003, 95 pág. (traduzido por Aulyde Soares Rodrigues)

“L’amant” é uma história de Marguerite Duras (pseudônimo de Marguerite Donnadieu) que além de escritora foi diretora de filmes, nasceu em 1914 na Indochina Francesa (atual Vietnã), tem entre suas obras títulos como “A Dor”, “O Amante da China do Norte” e “O Deslumbramento”, etc. Suas obras já foram traduzidas para muitos países e algumas delas já tiveram adaptações cinematográficas.
 “O Amante”, por ser uma narrativa psicológica e intensamente fragmentada torna-se uma leitura difícil, que exige um leitor atento às inúmeras mudanças. Ademais, trata-se de uma leitura cujo narrador por vezes está em primeira pessoa e outras vezes em terceira, entremeado a isso temos uma história cheia de saltos temporais: ora está no presente e ora no passado.
Marguerite Duras faz a reconstituição de muitas imagens a partir de suas descrições e ênfases das mesmas, que estão presentes em todo o livro. A obra é uma verdadeira enxurrada de pensamentos, alusão, muitos detalhes e cores.
Enquanto ao enredo, temos uma Garota que mantêm uma relação sexual com um Chinês e essa relação é narrada com detalhes tão profundos que são quase palpáveis as sensações, os sentimentos. Nesse ínterim, o leitor é apresentado, através de lapsos e jogos psicológicos fragmentados, à vida da garota: como foi sua infância, quais seus desejos, quais seus sonhos, medos, angústicas, enfim: retrata uma vida real, de alguém com sofrimentos e mágoas reais e não oníricas.
“O Amante” apesar da complexidade, não é uma leitura cansativa – até porque é curta: 95 páginas apenas –, mas sim, uma leitura prazerosa. Não obstante, reitero que exige um leitor atento e ao mesmo tempo sensível.
Em suma “O Amante” está longe de ser um livro cujas cenas são apenas fortes, detalhadas e eróticas, mas trata-se de uma obra que exige sensibilidade do leitor, para que este perceba que A Garota projeta suas desilusões, alegrias e angústias na presença do amante, quando esta não consegue entregar-se totalmente ao amor, mas se vê avassaladoramente comandada pelos desejos e a paixão intensa que controla seu corpo.


“Eu lhe pedira que fizesse outra e outra vez. Que me fizesse aquilo. E ele o fizera. Fizera-o em meio à untuosidade do sangue. E isso na verdade foi como morrer. E foi como morrer disso.” (p.38)



“Eu observava o que ele fazia comigo, como se servia de mim, e jamais imaginei que isso fosse possível, estava além de minhas esperanças e ia ao encontro da sina do meu corpo.” (p.82)

obrigado - By overshock
Quando descobri o maravilhoso mundo mágico de Harry Potter, mal pude conter a minha empolgação. Foram dois dias para terminar A Pedra Filosofal (e olha que eu tinha uns 12 anos na época) – só parando para comer e dormir, se bobear. Imediatamente, pedi (emprestado de um colega) as seqüências Câmara Secreta e o Prisioneiro de Azkaban e, a partir de então, acompanhei de perto o lançamento dos livros posteriores. 

Passado um considerável número de anos, posso contar que Harry Potter cresceu comigo. Esqueça os bruxos bonzinhos, as belas refeições e o caloroso discurso de abertura do ano letivo. Dumbledore está morto, Harry não está mais sob a proteção do sacrifício de sua mãe, e Lord Voldemort convocou meio mundo para conseguir sua cabeça. 

Em Harry Potter e as Relíquias Mortais, como já era de se imaginar pelo macabro final de O Enigma do Príncipe, Voldemort está de volta com força total e, com a ausência de Dumbledore, cai totalmente sobre Harry a responsabilidade de resistir e derrotar o lorde das trevas. Para isso, o já-não-tão-pequeno bruxo terá que destruir as demais horcruxes do vilão para, finalmente, derrotá-lo definitivamente. E, como tal tarefa deve ser realizada sem a intervenção dos demais membros da Ordem da Fênix, Harry conta apenas com a ajuda de Ron e Hermione para viajar por várias diferentes localidades (algumas já conhecidas dos fãs da série) na procura de horcruxes ou até mesmo de um lugar para se hospedar ou conseguir comida.

Toda essa história de guerra e deveres, entretanto, não tira o encantamento e o prazer com a magia entregues desde os primeiros livros. É incrível a capacidade de Rowling de lidar com um final tão apoteótico sem descaracterizar a série. Assim como nos outros livros, aqui o enredo é marcado pelos repentinos altos e baixos no humor de Harry e na presença de personagens cativantes, com diálogos muito bem construídos e uma narrativa extremamente direta. 

Algo que me impressionou particularmente foi o uso de alguns elementos apresentados desde os primeiros livros para explicar alguns dos maiores segredos da série. Fica complicado citar exemplos sem dar grandes spoilers, mas isso deixa claro que a percepção de Harry sobre o mundo em que vive agora, espera-se, é muito mais madura e até mesmo mais parcial do que nos primeiros livros, quando era uma criança encantada com o universo mágico e extraordinário dos bruxos.

Vale ressaltar, ainda, que mesmo com toda a responsabilidade sobre os ombros de Harry Potter, a série continua com uma de suas principais características: a exploração do fantástico e a sua implementação em pessoas e situações que fazem analogia e relações com o mundo em que vivemos.

Pode-se destacar Lord Voldemort, por exemplo, que apesar de ter cara de cobra e usar uma varinha, é representado como o vilão da história, aquele com percepções cheias de preconceito. Não contra negros ou homossexuais, mas sim contra trouxas e bruxos nascidos em famílias trouxas – os chamados mestiços.
É claro que, assim como o resto da saga, As Relíquias Mortais também possui defeitos. A variedade de lugares e diferentes acontecimentos podem assustar os leitores acostumados com a regularidade de Hogwarts, e o enredo tem lá seus buracos, mas nada que estrague a brilhante conclusão de J. K. para uma das maiores sagas fictícias contemporâneas.
Ver Harry lutando lado a lado com a Ordem da Fênix para combater a ditadura de Voldemort, depois de ter acompanhado toda a trajetória do personagem desde seus tempos de moleque, é no mínimo empolgante – assim como ver o irônico destino dos principais personagens (sobreviventes), no Epílogo.
Não espere a versão em português, que ainda vai demorar meses
Um amor para recordarNão vou fazer uma resenha muito grande pois não terminei de ler ^^


“Cada mês de abril, quando o vento sopra do mar e se mistura com o perfume de violetas, Landon Carter recorda seu último ano na High Beaufort. Isso era 1958, e Landon já tinha namorado uma ou duas meninas. Ele sempre jurou que já tinha se apaixonado antes. Certamente a última pessoa na cidade que pensava em se apaixonar era Jamie Sullivan, a filha do pastor da Igreja Batista da cidade. A menina quieta que carregava sempre uma Bíblia com seus materiais escolares. Jamie parecia contente em viver num mundo diferente dos outros adolescentes. Ela cuidava de seu pai viúvo, salvava os animais machucados, e auxiliava o orfanato local. Nenhum menino havia a convidado para sair. Nem Landon havia sonhado com isso. Em seguida, uma reviravolta do destino fez de Jamie sua parceira para o baile, e a vida de Landon Carter nunca mais foi a mesma.”
Existem atores que se encaixam perfeitamente na pele de seus personagens, e este filme exemplifica com perfeição o caso em questão. Russel Crowe vive o pugilista (real) Jim Braddock em uma história inspirado na vida dele. Crowe teve que fazer um personagem que fosse extremamente amável dentro de casa, mas que ao mesmo tempo pudesse parecer com um boxeador de verdade dentro dos ringues.
 
Talvez Tom Hanks pudesse fazer um personagem tão amável quanto, mas duvido que pudesse parecer tão bom no ringue. Russel Crowe executa as duas tarefas com perfeição.

No início, o acompanhamos voltando para a casa depois de uma luta, lugar com certo luxo mas que não tem nada ostensivo. Braddock quer dar conforto para sua família mas sem tirar os pés do chão. Ele sabe que a fama é passageira e investe seu dinheiro para enfrentar dias piores. Para seu azar, a depressão chega e acaba com seus investimentos. Além disso, ele quebra sua mão direita e perde lutas tão ruins que resolvem tirar sua licença de pugilista. Reduzido à extrema miséria, só lhe resta trabalhar como estivador nas docas.

Seu jeito de ser não muda. Seja antes ou depois, Braddock permanece a rocha que mantém a casa de pé, sempre estável. Sua preocupação é sempre com a família. Se sua filha está com fome, ele lhe dá a sua comida e fica sem nada. Na cena mais emocionante do filme, ele vai mendigar dinheiro para que possa ligar o aquecimento da sua casa e dar o mínimo de conforto para seus filhos. Sua mulher, Mae (Renée Zellweger), também quer o melhor para seus filhos, mesmo que para isso ela tenha que admitir que não tem condição de criá-los. Ele vai fazer o que for preciso para mantê-los junto dele. Essa é sua força.

Seu antigo empresário, Joe Gould (o também ótimo Paul Giamatti), consegue uma última luta para Braddock, um lutador se machucou e ninguém aceitaria substituí-lo em tão pouco tempo para treinar. Ninguém que tenha alguma coisa a perder, o que não é o caso de Braddock. Ele luta e vence de maneira espetacular. Seu adversário era um possível candidato a disputar o título, e aquele homem que não lutava há tempos consegue derrotá-lo. O feito é tão extraordinário que Gould consegue outras lutas para Braddock, e vitória após vitória ele finalmente chega à disputa do título.

Filmes como esse, de bom coração, são cada vez mais difíceis no mundo cínico atual. Este é muito mais do que um filme de boxe, esta é a história de um bom homem que enfrentou tempos desesperadores e conseguiu dar a volta por cima. Muito lutam por dinheiro, em uma entrevista ele diz que luta para dar leite para os seus filhos. Sua vida é praticamente um conto de fadas, e não há apelido melhor para ele do que "Cinderella Man", como um jornalista lhe deu.

Na época em que ele estava lutando, o país precisava de um homem como aquele. Ele era boxeador, mas era um homem que tinha as mesmas condições que a maior parte da população: pobre e sem possibilidades de emprego. Suas vitórias davam esperança a cada pessoa de ter um futuro melhor. Esse é o tipo de história que eu gosto de ver, pena que seja um tema cada vez mais em desuso.

Olá meu caros leitores.
Minha mãe leu esse livro me disse como era e criei uma resenha

 A Cabana.
A Cabana é uma obra que todo ser humano deveria ter obrigação de ler, isto porque não é apenas uma história, mas, sim, uma lição de vida de como devemos manter um relacionamento de confiança e harmonia com Deus, Jesus e o Espírito Santo, ensinando ao leitor quais são os princípios de fé, santidade e julgamento ao próximo.

A obra de William P Young, primeira colocada na lista dos livros mais vendidos nos Estados Unidos, segundo o jornal The New York Times, e segunda obra mais lida no Brasil, ficando atrás apenas de Crepúsculo, é uma verdadeira lição de como mantermos fidelidade e confiança em Deus, mesmo quando seu brilho estiver tremeluzido em nossos corações.

A história gira em torno de Mackenze Allen Phillips, um pai de família totalmente apaixonado por sua esposa, que tem a responsabilidade de educar cinco filhos sem poder falhar, isso porque, em sua infância, Mackenzie passou pelo trauma de ser espancado por seu pai, um homem totalmente entregue ao vício da bebida, e não queria, de maneira alguma, passar a mesma imagem aos seus filhos.

Contudo, em uma viagem bucólica, algo inesperado mudou totalmente o sentido da vida deste homem. Sua filha mais nova, Missy, foi seqüestrada e assassinada por um maníaco de garotas. Em uma incessante procura ,com a ajuda da polícia, por algum vestígio de sua pequena , Mack encontrou o vestido que sua filha usava no dia do sequestro, em uma cabana abandona.
Mackenzie se considerava o verdadeiro culpado pelo ocorrido e entrou em uma depressão profunda, chamada de Grande Tristeza. Este triste período fez com que sua relação com Deus se tornasse algo inexpressível em sua vida, pois o grande senhor nada havia feito para evitar aquela tragédia, e sua santidade havia se tornado um conceito frio e estéril.

Após três anos e meio da morte de Missy, Mack recebe um bilhete com a assinatura de Papai, modo carinhoso que sua esposa usava para se referir a Deus, com a seguinte frase: Já faz tempo. Senti sua falta. Estarei na cabana no fim de semana que vem, se você quiser me encontrar. Papai.
No começo, Mack imaginava que isso seria apenas uma uma brincadeira de mau gosto, todavia não conseguia parar de pensar no bilhete, então decidiu ir até à cabana onde sua filha havia sido brutalmente assassinada.

Depois de fazer uma estafante viagem durante uma noite negrume, Mack chegou à velha cabana e se deparou com o mesmo cenário que havia lhe proporcionado a cena mais triste de sua vida, virou as costas e foi embora, insultando Deus de todas as formas possíveis. Entretanto, um vento forte fez com que ele virasse e reparasse, totalmente aparvalhado, com o cenário mais deslumbrante que já havia visto...

Não acreditando que aquele cenário poderia ser tangível, Mack se aproximou e adentrou-se à cabana. Sem palavras para descrever o que estava acontecendo, o homem encontrou três pessoas dentro do recinto: Deus, Jesus e seu Espírito Santo, todos representados por um estereótipo totalmente diferente que Mack imaginava.
Daí por diante, começa um enredo indescritível, por isso, apenas aconselho todos a lerem esta obra magnífica.

Então é isso Até
 

Se filmes como “A Estrada” se dedicam em serem o mais realista possível num cenário pós-apocalíptico, outros como “O Livro de Eli” querem fazer a farra. Os irmãos Hughes não filmavam desde “Do Inferno”, a adaptação da graphic novel assinada por Allan Moore. Exceções apenas a colaboração para um dos seguimentos de “Nova York, Eu Te Amo” e a produção televisiva “No Limite da Maldade” (drama criminal estrelado por Jeffrey Donovan e Vera Farmiga). A questão é que em ambos os projetos apenas Allen Hughes assinou a direção. O reencontro dos Hughes Brothers se dá em “O Livro de Eli”, fita cheia de adrenalina contando com Denzel Washington como o personagem título.

Eli é um homem solitário que vaga por lugares inóspitos. A razão está ligada a um livro que porta. Num futuro onde os poucos sobreviventes são analfabetos, o livro apresenta um conteúdo que promete mudar toda a humanidade – ou o que restou dela, claro. Depara-se na sua jornada com Carnegie (Gary Oldman), sujeito ameaçador que toma posse de todo um vilarejo que contém água e suprimentos. Carnegie fica tão impressionado com as habilidades físicas que Eli apresenta em uma briga provocada em seu bar que lhe oferece um dia de estada. É claro que é uma armadilha, pois não demora para Carnegie descobrir que Eli carrega consigo um livro que tanto almeja folhear, pois é o único que sabe ler.

A história começa a ficar ainda mais eletrizante quando Eli ganha Solara (Mila Kunis, muito bacana no papel) como uma inesperada aliada. A bela jovem é filha da cega Claudia (Jennifer Beals), quase uma esposa submissa de Carnegie. Apesar da desconfiança inicial, a dupla ruma para um monastério para deixar o livro em segurança, rendendo sequências com efeitos visuais excelentes para representar toda a destruição de um planeta. Os Hughes Brothers são donos de uma filmografia pequena e bem comentada com a abordagem diferenciada dos guetos e da população negra retratadas nos longas “Perigo Para a Sociedade” e “Ambição em Alta Voltagem”. Assim como em “Do Inferno”, “O Livro de Eli” representa uma mudança de ares, especialmente pelo orçamento alto de oitenta milhões de dólares que eles tiveram acesso.

Os Hughes Brothers honram grande parte do investimento, elaborando cenas de ação bem originais. A melhor delas é de longe aquela que faz uma impagável referência ao clássico “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”. Veteranos, o irlandês Michael Gambon e a britânica Frances de la Tour incorporam George e Martha, praticamente uma encarnação dos personagens de Richard Burton e Elizabeth Taylor, com o diferencial de serem canibais em potencial. A cena de tiroteio na velha residência do casal é sensacional.

Título Original: The Book of Eli
Ano de Produção: 2010
Direção: Albert Hughes e Allen Hughes
Roteiro: Gary Whitta
Elenco: Denzel Washington, Mila Kunis, Gary Oldman, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour, Michael Gambon, Tom Waits, Chris Browning e Malcolm McDowell
Cotação: ***
 
 
O lançamento de “Pânico 4″ é marcado por expectativas e receios. Afinal, embora a parte principal da equipe da popular franquia que revitalizou os filmes de horror estivesse de volta, nem sempre dar continuidade a uma história é garantia de sucesso, como pudemos ver no esgotamento criativo de outras séries como “Jogos Mortais”. Além do mais, o diretor Wes Craven deu um banho de água fria em todo o público com o fraquíssimo “A Sétima Alma“, filme exibido em nossos cinemas no ano passado. Felizmente, o resultado obtido em “Pânico 4″ supera tudo o que já havia visto de melhor na trilogia original, cujo ápice é o primeiro episódio produzido em 1996.

O intervalo de uma década entre “Pânico 3″ e “Pânico 4″ foi positivo para a criatividade do roteirista Kevin Williamson, Responsável por um texto cheio de perspicácia, Kevin Williamson mostra estar bem sintonizado com as mudanças da juventude de hoje, então batizada como geração 2.0. O quadro atual se destaca pela forma instantânea em que informações são emitidas, como se vê na dependência de aparelhos celulares e em acessos em redes sociais.

Neste cenário, é até possível sentir o deslocamento da nossa mocinha Sidney Prescott (Neve Campbell), que após dez anos retorna à Woodsboro, cidadezinha que serviu de palco para os assassinatos dos filmes anteriores. A sua visita é para a divulgação de seu livro de autoajuda, “Fora da Escuridão: Uma Verdadeira História de Sobrevivência”, onde narra as experiências do passado e como adquiriu forças para se reerguer depois de tantas perdas. Embora o livro seja um testemunho de sua superação, poucos provavelmente o leram. Como sugere a assessora de Sidney, Rebecca Walters (Alison Brie), o que importa é o quanto ela pode se tornar famosa sob o vulgo de “Anjo da Morte”, mesmo que Rebecca não tenha folheado “Fora da Escuridão”.

Não podemos nos esquecer dos veteranos e calouros presentes em “Pânico 4″. Gale Weathers (Courteney Cox) e Dewey Riley (David Arquette) estão de volta. Ambos desfrutam um bom relacionamento, mas eles mudaram pouco. Gale continua em busca de um furo escandaloso para conseguir escrever um novo livro no qual não sai do primeiro capítulo. Já Dewey subiu para o cargo de xerife, mas continua o mesmo banana de sempre – e como tem um péssimo alvo na hora de atirar! Emma Roberts finalmente mostra a que veio abandonando a marca “sobrinha de Julia Roberts” que tanto a persegue na pele de Jill, uma versão adolescente de Sidney. Seus amigos são Kirby (Hayden Panettiere, que rouba várias cenas), Olivia (Marielle Jaffe) e os cinéfilos Charlie (Rory Culkin) e Robbie (Erik Knudsen). Jill também tem uma relação mal resolvida com Trevor (Nico Tortorella), por sua vez, uma versão similar de Billy, o namorado de Sidney feito por Skeet Ulrich no primeiro filme da série.

A brincadeira de descobrir quem está por trás da máscara de Ghostface é retomada em “Pânico 4″. A graça é que, pela primeira vez, isto não é a única coisa que importa ou que dá ritmo a trama, de longe a mais eletrizante de todas. A tensão é insuportável, especialmente que com a nova década, novas regras são elaboradas. Ou seja: em “Pânico 4″ tudo pode acontecer, especialmente com Sidney – e o desespero para que nada aconteça com esses personagens que nos são tão queridos? Mesmo assim, é possível encará-lo como comédia. Não faltam alfinetadas as refilmagens e sequências que tanto colaboram para o marasmo que o gênero tanto ameaça cair. A norma é clara. “The first rule of sequels: don’t fuck with the original!”.

Título Original: Scream 4
Ano de Produção: 2011
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Elenco: Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Emma Roberts, Hayden Panettiere, Marielle Jaffe, Marley Shelton, Rory Culkin, Erik Knudsen, Alison Brie, Adam Brody, Anthony Anderson, Nico Tortorella, Lucy Hale, Shenae Grimes, Dane Farwell, Anna Paquin, Kristen Bell, Aimee Teegarden, Brittany Robertson, Mary McDonnell, Heather Graham e voz de Roger Jackson
 

Não sendo mais do que um thriller de espionagem regular, a história de “Anthony Zimmer – A Caçada” não apenas chamou a atenção dos celebrados roteiristas Christopher McQuarrie e Julian Fellowes como também atraiu os dois maiores astros do cinema contemporâneo, Johnny Depp e Angelina Jolie, ao ponto de contracenarem pela primeira vez juntos. A atualização da obra francesa de Jérôme Salle também registra o passaporte de ida de Florian Henckel von Donnersmarck (Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Vida dos Outros”) à Hollywood, culminando em uma produção que não justifica as três nomeações recentes ao Globo de Ouro, mas ao menos não faz feio dentro do gênero.

O início de “O Turista” se dá com o inspetor da Scotland Yard John (Paul Bettany) e sua equipe perseguindo a belíssima Elise (Angelina Jolie). Ela é o único ponto de ligação com Alexander Pearce, sujeito que roubou uma fortuna de um perigoso gângster e que deve milhões em impostos ao governo britânico. Com uma cirurgia que modificou totalmente sua face, todos estão com dificuldades de interceptá-lo, encontrando em Elise a isca perfeita nesta busca, pois Alexandrer se comunica com ela através de bilhetes. No primeiro deles, Alexander orienta Elise a pegar um trem para Veneza. A bordo, deve encontrar um homem qualquer que tenha a mesma estatura que Alexander, bem como convencer a polícia de que ele é o próprio Alexander e não Frank Tupelo, sua real identidade, um viúvo professor de matemática.

A armadilha e o conflito de interesses que se amplia com a entrada de Reginald Shaw (Steven Berkoff), então o finado gângster traído, faz de “O Turista” uma realização que remete as produções mais classudas de Alfred Hitchcock, especialmente “Ladrão de Casaca”. As locações na Itália e Paris são de encher os olhos e desempenham papéis importantes na narrativa. Graças aos cenários, os momentos entre Angelina Jolie e Johnny Depp ganham maior realce. Triste apenas testemunhar que toda a elegância e a boa fusão de mistério e humor esteja a serviço de um encerramento que aborrece ao recorrer a um dos pecados mais graves que pode existir no cinema: trapacear o público.

Título Original: The Tourist
Ano de Produção: 2010
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Roteiro: Christopher McQuarrie, Florian Henckel von Donnersmarck e Julian Fellowes, baseado no filme “Anthony Zimmer – A Caçada”, de Jérôme Salle
Elenco: Angelina Jolie, Johnny Depp, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Rufus Sewell, Christian De Sica, Alessio Boni, Daniele Pecci, Giovanni Guidelli, Raoul Bova, Bruno Wolkowitch e Ralf Moeller
Guia Politicamente incorreto da historia do brasil Resenha do livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil:
Existe um esquema tão repetido para contar a história do Brasil, que basta misturar chavões, mudar datas ou nomes, e pronto. Você já pode passar em qualquer prova de história na escola. Nesse livro, o jornalista Leandro Narloch prefere adotar uma postura diferente – que vai além dos mocinhos e bandidos tão conhecidos. Ele mesmo, logo no prefácio, avisa ao leitor: “Este livro não quer ser um falso estudo acadêmico, como o daqueles estudiosos, e sim uma provocação. Uma pequena coletânea de pesquisas históricas sérias, irritantes e desagradáveis, escolhidas com o objetivo de enfurecer um bom número de cidadãos.” É verdade: esse guia enfurecerá muitas pessoas. Porém, é também verdade que a história, assim, fica muito mais interessante e saborosa para quem a lê.
Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Por 70 anos Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora.

Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária. Mas sua sorte muda quando seus pais morrem num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.

Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais. 

É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do circo. 

"Água para Elefantes" é tão envolvente que seus personagens continuam vivos muito depois de termos virado a última página. Sara Gruen nos transporta a um mundo misterioso e encantador, construído com tamanha riqueza de detalhes que é quase possível respirar sua atmosfera.
O pequeno príncipe", escrito pelo aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, editado pela 'Agir' editora Ltda, trata-se de uma obra composta por uma fábula; publicada originalmente nos Estados Unidos em 1943, devido ao exílio do autor no presente país. Em 1945 foi publicada no país de origem do autor, a França, pela editora Librairie Gallimard. O presente livro contém 94 páginas e está em sua 48° edição sendo baseada na edição norte-americana: The Little Prince.

O livro de Saint-Exupéry, se assim podemos dizer, é uma fábula sobre amizade, solidariedade e desapego. Exupéry nos oferece uma história de paz, escrita em tempos de guerra. Seu principezinho surgiu como esperança de um mundo pacificado, de respeito às diferenças. Um mundo, talvez, dedicado às crianças. Sua jornada passa por vários planetas, tão pequenos como o dele.
A obra de Exupéry é rica em simbologismos, dentre tantos temos seus personagens, os quais nos levam a grandes reflexões: o rei; o contador; o geógrafo; o bêbedo; a raposa, esta talvez seja a personagem mais conhecida; a rosa, entre outros.

Escrito e ilustrado por Saint-Exupéry- que como percebemos se fez narrador- o pequeno príncipe começa com uma pane de um pequeno avião, que deixa o piloto preso no meio do deserto do Saara. Após a primeira noite adormeceu nas areias do deserto, e foi acordado por uma criança que lhe pede "desenha-me um carneiro" (Exupéry, 2006, p. 01). É ai que começa o relato das fantasias e sonhos de uma criança, como tantas outras, que questionam com pureza e ingenuidade as coisas mais simples da vida.

A obra de Antoine é algo com que o leitor pode se deliciar, não é como varias obras, uma obra monótona. Afinal, o príncipe percorreu muitos planetas,- sete, com a Terra - conheceu criaturas estranhas, algumas tremendamente egoístas, outras terrivelmente solitárias. A viagem do principezinho começou quando ele se desiludiu com sua flor, e considerou que ela era boba e exigente, ou seja, egoísta e voluntariosa, tirando a tranqüilidade de seu pequeno mundo. Mas na jornada que o levou ao planeta Terra ele também adquiriu experiência. Mais do que isso, entendeu, com o coração, que sua flor era única no mundo- apesar dele ter descoberto que existem outras de sua espécie- por isso, cabia a ele proteger e cuidar dela. Mesmo que fosse um pouquinho vaidosa, ou egoísta, e que fingisse não amá-lo. Nas palavras do próprio principezinho comprovamos este fato: "Eu me julgava tico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum" (Ibid. p.66 ).

Outro ponto interessante na obra é que o garoto de cabelos dourados e a raposa tinham razão – "somos responsáveis por aquilo que cativamos" (Ibid. p.74). E quer saber: se as pessoas grandes lessem muitas e muitas vezes o livro, se guardassem pelo menos um pedacinho das muitas histórias que ele conta, e refletissem sobre elas, talvez se tornassem pessoas melhores. É a raposa quem revela um segredo ao príncipe, que costuma ser esquecido pelos adultos: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos" (Ibid. p.72).

Ao deixar a Terra, o príncipe ofereceu de presente ao seu amigo aviador as estrelas; pois ele estaria em cada uma delas. E nos ofereceu uma lição difícil, a de que o amor verdadeiro dispensa reconhecimento e declarações. "Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando a contempla"...

Deste modo, percebemos que o livro "O pequeno príncipe", é uma obra que nos mostra uma profunda mudança de valores; que nos ensina como equivocamos na avaliação das coisas e pessoas que nos rodeiam e como esses julgamentos nos levam a solidão. Sendo assim, as palavras escritas por Amélia Lacombe é pertinente: "Livro de crianças? Com certeza. Livro de adultos também, pois traz dentro de si o menino que foi". Neste sentido, a escritora continua dizendo que "O pequeno príncipe desenvolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia". Sendo assim, voltam ao coração escondidas recordações. A partir disso acontece o reencontro- o homem-menino.
A parte inferior da capa do livro exibe, orgulhosa, a seguinte frase: “Mais vendido na lista do New York Times”. Você, caro delfonauta, acha que isso é por acaso? Claro que não, certo? Afinal, o assunto aqui é a autobiografia do Príncipe das trevas! Não Satã... Ozzy Osbourne!

Escrito pelo próprio (com a providencial “mãozinha” de um certo Chris Ayres), Eu Sou Ozzy conta, de forma muito engraçada, a trajetória do Mr. Madman no Black Sabbath  e em carreira solo. Sob esse aspecto, o livro traz duas seções que distinguem as fases de sua evolução – por assim dizer – como artista:

Parte Um: No Começo
É o lado cômico do livro. Aqui, o cantor conta como foi sua vida pré-estrelato. Começa a narrativa já adolescente, em Aston, Inglaterra. Um lugarejo habitado por operários, onde viviam os Osbournes. Ozzy tentou ser ladrão, mas sua incompetência o fez parar na prisão.

Logo após a saída do xilindró, John Michael Osbourne tentou vários empregos. Foi abatedor de animais, afinador de buzinas, e teve um trabalho onde sua vocação para drogado começou a aparecer.

Ozzy abandonou todos os empregos comuns – de formas completamente bizarras, claro. Afinal, o que ele queria mesmo era ser um rockstar! A coisa não deu certo logo de início, mas o destino deu aquele proverbial empurrão, colocando-o frente a frente com um antigo conhecido dos tempos de escola: Tony Iommi.
O vai-e-vem que a formação sofreu até tornar-se sólida prenunciava o quão caótica seria a vida artística daqueles britânicos. A certa altura do campeonato, Iommy aceitou um convite para tocar no Jethro Tull, mas acabou retornando ao Black Sabbath por não gostar da idéia de ser um músico contratado (seu ego inflado em pleno funcionamento?).

O único show em que o bigodudo tocou com a trupe de Ian Anderson pode ser conferido no DVD Rock And Roll Circus, de 1968, em que o The Rolling Stones (leia Mick Jagger) foi anfitrião de um espetáculo circense, cujas atrações foram bandas de rock.

No meio de uma rotina regada a sexo, (muito mais) drogas e rock’n’roll, a banda seguiu gravando excelentes álbuns, mas Ozzy e o co-autor do livro encontraram outro fio condutor para dar liga à obra: a facilidade do vocalista para se viciar em QUALQUER COISA que o deixasse ainda mais louco do que já era. Veja bem, delfonauta, todos os integrantes do grupo eram viciados de carteirinha. Mas Ozzy Osbourne superava Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward juntos!

Parte Dois: Recomeço
O Black Sabbath  já estava mal das pernas. Seus últimos álbuns não venderam tanto, e Ozzy – cada vez mais chapado – pisava na janta dos colegas de banda, que já nem se consideravam tão amigos assim. Foi aí que se deu a famosa cisão: Tony e os caras deram um tchau para o seu vocalista, que cedeu o posto para o tremendão Ronnie James Dio.
Falido e abandonado, Ozzy contou com a ajuda de Sharon, filha do empresário Don Arden, para se reerguer. Enquanto sua antiga banda lançava Heaven And Hell, poderoso disco com uma maravilhosa faixa-título, ele atacou de Blizzard of Ozz – disco cujo nome tinha em mente desde a época do Sabbath.

Depois da tresloucada Sharon, que posteriormente teria Osbourne agregado ao nome, uma figura extremamente importante para a carreira solo de Ozzy foi o fenomenal guitarrista Randy Rhoads. Ex-membro do Quiet Riot, Randy entrou para o novo grupo de Ozzy Osbourne sem se esforçar demais; apenas exalando seu indiscutível talento. Talento que até hoje o faz figurar na lista dos maiores de todos os tempos.
Se a primeira parte do livro pode ser considerada uma antologia de palhaçadas e situações bizarras, a segunda metade trata de assuntos sérios. Ou de como as comédias promovidas pelo Mr. Madman  foram se tornando casos de polícia. Mas, ainda mais pesado do que o comportamento autodestrutivo de nosso protagonista, sem dúvida foi o acidente que vitimou Rhandy e Rachel (uma senhora que integrava a equipe do cantor).

Em uma das viagens da banda, Rhandy teria dito a Ozzy que não se interessava mais em tocar rock. Sua veia musical com certeza era clássica, e ele faria faculdade para seguir atuando no estilo. A decisão foi comunicada ao chefe exatamente no dia em que tudo aconteceu. E o relato de Ozzy sobre o retorno ao local do acidente constitui um momento de grande emoção.

No mais, roubalheira de empresários, vexames de um Ozzy que vivia chapado e, claro, canções que sempre estarão nos corações dos fãs, como Mr. Crowley e No More Tears (para citar momentos distintos de sua carreira solo). Mas se você acha que só disso é feito o livro, acredite: Ozzy Osbourne é o rockstar mais humano de todos. Reconhece que não há retorno, pede desculpas pelas pisadas na bola e, sobretudo, nunca disfarça suas inúmeras falhas.

Se os vícios de John Michael Osbourne foram o plot das páginas de sua biografia, o abandono dos mesmos significa um encerramento com chave de ouro. Ozzy cita o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, com quem faz uma dupla de roqueiros cuja sobrevida é um mistério. De fato, é difícil imaginar algum entorpecente que os dois não tenham consumido.

No fim das contas, tudo o que o veterano do Heavy Metal (honraria que rejeita com veemência) gostaria era ser um pai e um marido decente. Mas, infelizmente, entre ele e suas famílias – seu primeiro casamento foi com uma mulher chamada Thelma, ainda na década de 1970 – havia a rotina desregrada de um roqueiro.
Seja pelo extinto reality show The Osbournes, pelo seu trabalho no Black Sabbath, carreira solo ou conjunto da obra, se você já era fã de Ozzy Osbourne, o livro Eu Sou Ozzy tem ótimas chances de fazê-lo admirar o sujeito ainda mais. Se, por ventura, você não aprecia seu trabalho como artista, pelo menos enxergará motivos para gostar dele como ser humano.
Sim, meu caro, demorou, mas cá estamos nós para resenhar este game, que é o bem-sucedido debute da Vigil Games, produtora que tem como co-fundador Joe Madureira, desenhista que é figurinha conhecida dos fãs old school de quadrinhos.
Darksiders. Fala sério, só o nome deste jogo já é legal. Se isto não é o bastante para você, confira ao lado a belíssima capa do game. Sem exagero, esta é uma das artes de capa mais bonitas que eu já vi. E você controla um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse! Hell, yeah!
Mas será que Darksiders consegue manter essa testosterona em alta por toda a sua extensão?
Acompanhe-me nesta resenha e descubra.

ARMAGEDDON ANTECIPADO
A história principal de Darksiders é bem interessante. No eterno combate entre o céu e o inferno, um dos lados quebrou as regras e resolveu decretar o fim do mundo antes do tempo. Como todo mundo sabe, tal acontecimento é desencadeado pela vinda dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, entidades místicas poderosíssimas cujo principal objetivo é perpetrar o caos.

O problema é que o bagulho não foi feito corretamente. Com isso, apenas um dos Cavaleiros desce à Terra. Ele é War  (Guerra), o pintudo protagonista do jogo. Sem entender direito o que está rolando no mundo dos homens (o mundo está acabando ou não?), nosso monossilábico anti-herói sai chutando todos os traseiros que encontra pela frente (em um começo bem empolgante) sejam tais traseiros angelicais ou demoníacos.
Isto desperta a ira do Charred Council, uma espécie de entidade-conselho onipotente que visa manter a ordem na guerra da luz contra as trevas. Após chamar War para uma reuniãozinha particular, a entidade
obviamente
o priva de todos os seus poderes tremendões, e o manda de volta à Terra um século depois, para limpar sua barra e descobrir quem começou a treta toda.

Para manter o revoltado Cavaleiro nos eixos, o conselho manda de brinde The Watcher, o demoniozinho falastrão e prepotente que acompanha War durante toda a aventura. Juntos, eles irão trilhar meio mundo em busca de respostas, obtidas de maneira nem sempre amigável pelo nosso guerreiro.
Na minha opinião, o roteiro tinha potencial para ser muito mais empolgante, mas fica raso e até obsoleto em certos momentos. Em boa parte da jornada, você vai seguir sem interagir com praticamente ninguém (na verdade, War profere pouquíssimas palavras no decorrer da aventura), por horas a fio, limitando as interações importantes com demais personagens lá para a reta final do jogo, onde as coisas vão sendo meio que explicadas.

Além disso, a história tem muitas daquelas reviravoltas “à Shyamalan”. Tipo, quando você acha que encontrou o culpado por tudo, ele lhe conta uma outra versão dos fatos, e tudo o que você achava ser verdade não é. Nada contra estas viradas, mas Darksiders exagera um pouquinho na dose, tornando o roteiro meio rocambolesco demais.

VÁRIAS JORNADAS ÉPICAS
Darksiders é um jogo longo dentro do seu gênero, que é prioritariamente o hack n’ slash. Particularmente, eu não me importo com isso, mas o pessoal que costuma terminar este tipo de jogo em um final de semana pode ficar um pouco cansado.

A campanha principal chega fácil às 15 horas, e se você se dedicar com mais carinho à busca de tesouros e artefatos (em especial às várias peças da estilosa Abyssal Armor, busca que vale o empenho, como você confere na galeria), o jogo certamente vai consumir umas 20 horas da sua vida.

Frustração também pode ocorrer aos mais acostumados àquela linearidade típica dos hack n’ slash brutais de hoje em dia, onde você simplesmente segue em frente, sem muitas voltas ou bifurcações. Darksiders nos obriga a ir e voltar várias vezes pelos mesmos cenários, revisitando alguns deles ocasionalmente para completar algum novo objetivo, que geralmente é essencial para o progresso.

Isto ocorre porque o núcleo de dois terços da trama gira em torno de uma cidade principal. Lá, o demônio Samael guarda o caminho que você deve trilhar para seguir adiante. Como pedágio, o chifrudo usurpador lhe pede os corações de quatro criaturas poderosíssimas. Logicamente, cada uma delas está em um canto do vasto mapa do jogo.

E, mais logicamente ainda, você terá que camelar um monte para chegar até o primeiro bicho (o dragão Tiamat que, sabe-se lá porque, tem peitinhos). Dando cabo dele, você arranca seu coração. Aí volta todo o caminho e entrega o órgão pulsante para Samael. Feito isto, ele lhe concederá alguma habilidade ou utensílio novo, imprescindível para que você possa acessar a área onde se esconde o próximo adversário tremendão.
E assim sucessivamente, até que todos os corações tenham sido devidamente arrancados e entregues. O jogo até dá uma colher de chá com os Serpent Holes, que são belíssimos atalhos entre um ponto e outro, mas você só terá acesso a eles após gastar muito a sola de suas botas.

Diferente de outros títulos, onde seu objetivo já está bem delineado desde as primeiras horas de jogo, Darksiders se apresenta em uma sucessão de várias jornadas épicas. Só a parte de derrotar as quatro criaturas supracitadas já vai lhe render umas oito horas de jogo. Depois disso, Samael lhe permite o acesso a um outro lugar, que você nem lembrava mais que queria ir, onde supostamente está quem você procura.
Chegando lá, você deve libertar o anjo Azrael. E isto compreende uma nova leva de missões homéricas por uma fortaleza monstruosamente labiríntica. Após libertar o anjo, ele lhe revela que há um outro artefato para ser buscado, a Mask of Shadows. De posse desta máscara, você passa por mais alguns perrengues até descobrir que apenas uma arma no mundo pode dar cabo do último chefe, a espada Armageddon. Para sua sorte, tal espada foi quebrada em sete partes.

Aí basta visitar praticamente todos os cenários do game novamente, desta vez no Reino das Sombras, (que é uma versão obscura da realidade), para enfim coletar os cacos da espada Armageddon, para então forjá-la novamente e enfim garantir o acesso à batalha final.
Fala sério, em Darksiders você tem tanta coisa épica para fazer, que escalar o Olimpo para matar Zeus fica parecendo um passeio no parque!

JOGABILIDADE ou “JÁ VI ISSO EM ALGUM LUGAR”
A jogabilidade de Darksiders é uma enorme salada. Isso porque o jogo se apropria de muitos estilos testados – e aprovados – de games famosos e mistura tudo em um jogo só. Isso não é necessariamente ruim, mas é impossível não fazer associações com outros títulos. Darksiders é um jogo que, se não inova, ao menos mescla muitos elementos legalzudos em um pacote só.

Por exemplo: do já clássico Gof of War Darksiders herda não só o sistema brutal de ataques e finalizações, como também o deveras gasto esquema de ações de contexto: aperte o botão certo na hora certa para desencadear uma ação específica (e geralmente tremendona). A vantagem é que neste caso o botão é sempre o mesmo, logo, você não vai errar tanto. As asas de War também seguem a mesma linha das asas que o Kratos usurpou de Ícaro.

Para ataques à distância, War tem à sua disposição um enorme shuriken (tipo aquele da Yuffie, do saudoso Final Fantasy VII). Na hora de usar tal armamento, a mecânica lembra muito o arremesso do bumerangue da clássica série The Legend of Zelda. Inclusive, há aqui também a possibilidade de fazer a arma ricochetear em diferentes alvos, bem como lançá-la no fogo para então levar a chama a outro ponto. Tal recurso é muito utilizado na resolução de puzzles, e até mesmo nas batalhas contra bosses.

Em outra similaridade, lá pelas tantas você encontra um artefato que cria portais. E aqui a mecânica de jogo é totalmente
chupada
inspirada em Portal. Crie um portal de entrada, um de saída, e utilize-os para passar ou transportar coisas. Nesta parte temos puzzles muito desafiadores, mas sobre isso eu falo já, já.
E tem muito mais momentos em que a jogabilidade vai lhe proporcionar déjà vus involuntários. Shadow of the Colossus, Panzer Dragoon, Gears of War, a trilogia das areias do tempo de Prince of Persia... vários são os títulos “homenageados” por Darksiders.

A configuração dos botões pode tornar a sua vida bem complicada no início (ou para realizar alguma ação específica), mas considerando o tamanho do jogo, até o final você já pegou a manha.
Ah, e o War é tremendão por conseguir ficar com até três armas equipadas simultaneamente. Porém, mesmo que a foice e a pistola sejam estilosas, a mais poderosa e útil é mesmo a boa e velha (e enorme) espada Chaoseater, e é com ela que você vai decepar 95% das cabeças. As armas secundárias se mostram mais úteis fora de combate, como as manoplas que causam tremores, e podem ser utilizadas para destruir barreiras de gelo, ou o shuriken, que é mais útil resolvendo puzzles e abrindo portas do que matando inimigos.
Finalizando a pintudice do Cavaleiro, temos ainda a Chaos Form, que é quando ele libera todo o seu poder e se transforma por um tempinho em uma imensa besta chifruda flamejante. Ele fica meio lerdão nesta forma, mas a força dos ataques é devastadora. E o visual é bem legal, também! Reserve esta habilidade para momentos críticos.

GRÁFICOS & SOM
Os gráficos de Darksiders também podem entrar no quesito “já vi isso em algum lugar”, uma vez que muita gente aponta semelhanças entre o visual do jogo com o visual de World of Warcraft. O protagonista War, de fato é bem parecido com um personagem do supracitado MMORPG. Eu não sei se o desenhista Joe Madureira esteve envolvido na concepção visual de Warcraft, mas se alguém souber, manifeste-se.
Isso não é algo que incomode, pois o visual do jogo é bem bacana. Diferente de títulos como God of War ou Dante’s Inferno, onde o realismo predomina tanto nos cenários como na anatomia, em Darksiders as coisas são bem mais exageradas e fantasiosas.

Todos os caras têm bíceps da grossura de um tronco de árvore, ostentam armaduras enormes e capas esvoaçantes, são troncudos e de ombros largos. É mais ou menos como em algumas HQs, onde as características e os músculos são inflados ao extremo. O design de monstros e demais bestas também é muito legal, especialmente os chefes (geralmente colossais), o Samael, e o Vulgrim, balconista da “lojinha”. Para mim o único fail é o lendário dragão Tiamat, pois ele tem peitinhos. =P

A paleta de cores também parece saída de uma história em quadrinhos. Diferente de muitos títulos obscuros e monocromáticos que existem atualmente, Darksiders é vibrante e colorido sempre que possível. Claro que, em eventuais masmorras e fortalezas as coisas escurecem um pouco, mas no geral o game é bem colorido.
Em se tratando de cenários, há uma imensa variedade: temos cidades destruídas, estações de metrô abandonadas, catedrais ancestrais, túneis subterrâneos salpicados de lava borbulhante e paisagens verdejantes escondidas sob o concreto de grandes cidades. Sério, a variedade é enorme e até meio confusa: você passa por três ou quatro túneis de metrô e de repente encontra uma campina verdejante subterrânea, que parece saída direto das redondezas do Condado dos hobbits.  WTF?

Ah, e o sangue de Darksiders é muito legal! Ele é grosso e escuro, tipo o de 300, e como em muitas das finalizações sangrentas rola aquela dramática slow motion, a beleza destes momentos tipicamente espartanos é elevada ao extremo.

O som é ótimo, especialmente as dublagens. Os demônios e demais criaturas possuem aquela voz trovejante e gutural que vai testar a qualidade do seu subwoofer. War fala pouco, mas é pintudo o bastante para fazer valer suas opiniões em poucas frases. Todos os personagens têm personalidades bem delineadas graças ao competente trabalho de dublagem.

Já em músicas, o game deixa um pouco a desejar. A da tela de abertura é simplesmente épica, mas no resto do jogo rolam poucas músicas, e essas poucas não são assim tão marcantes. Não raro, você jogará ouvindo apenas os sons ambientes, o brandir das armas ou o cavalgar de Ruin, o seu cavalo tremendão.

PUZZLES REGOZIJANTES E ODIOSOS
Para balancear um pouco os momentos de pancadaria, Darksiders conta com um grande número de puzzles, sendo que a grande maioria deles envolve a utilização do arsenal ou das habilidades do personagem em conjunto com o cenário.

Alguns são bem simples, tipo arrastar uma caixa do ponto a ao ponto b para fazer dela um degrau, ou algo assim, outros seguem esse mesmo esquema, porém utilizando mecânicas diferenciadas, como passar com a caixa por uma série de elevadores, nivelar a água em uma sala específica para poder passar, e coisas do tipo.
A já mencionada utilização do shuriken para carregar fogo também é figurinha fácil nos puzzles. Em alguns pontos do cenário, você encontra bombas que precisam ter o seu “pavio” aceso para explodir. Cabe a você fazer a chama chegar ao pavio. E muitas vezes você terá que carregar a labareda por algum tempo (deixando-a em vários lugares pelo caminho) até conseguir colocá-la em seu destino.

Depois que você adquire o artefato que cria portais, o volume e a complexidade dos puzzles aumenta consideravelmente. Sério, é preciso muita perseverança para libertar o fuckin’ anjo Azrael de seu cárcere luminoso.

Visualize: você está em uma espécie de fortaleza enorme, e o maledeto está preso no térreo. Para libertá-lo, você precisará redirecionar fachos de energia, que geralmente estão na torre mais alta das construções vizinhas! Cabe a você utilizar espelhos, janelas e portais para fazer o feixe luminoso chegar ao seu destino.
Há certa lógica doentia nesta parte, mas você vai penar um bocado para enxergá-la. Isso porque o próprio cenário é um enorme puzzle, e você deverá alinhar plataformas, espelhos, janelas e portais para que o raio de energia ultrapasse os obstáculos. Se a lógica lhe fugir, você sempre pode recorrer ao modo “tentativa e erro”, mas isto certamente vai demorar um pouquinho.

Neste ponto, os responsáveis pelo level design merecem aplausos. A maneira como eles conseguiram integrar diversos cômodos – e diversos andares – em um único e gigantesco quebra-cabeça é algo digno de respeito. Você vai odiá-los por isso várias vezes, mas é inegável o esforço da equipe em unificar tudo de maneira desafiadora e inteligente.

Em outro momento insano, você deve utilizar uma balança gigante como elevador. Logicamente, para que os pratos subam e desçam, você deve alternar a carga contida neles. E para tanto, deverá carregar os famigerados caixotes utilizando portais, sem esquecer o efeito da gravidade. Este é outro momento totalmente lógico e bem planejado, mas que vai te fazer praguejar um bocado.

E temos ainda as engenhosas e criativas batalhas contra chefes! Elas são divertidas, desafiadoras e bem diferentes entre si, algumas até envolvendo puzzles! Não serão poucos os casos onde você terá de combinar boa parte das habilidades do Cavaleiro para sair vencedor. Fique preparado para criar portais nos lugares onde menos se espera, ou cavalgar desesperadamente para não ser engolido vivo!

CONCLUSÃO APOCALÍPTICA
A conclusão a que eu pude chegar é que Darksiders é um jogo ótimo, e merece com louvor os quatro Alfredos e meio. Porém, é um game que exige considerável nível de paciência e comprometimento, coisa que muitos gamers mais casuais podem não ter. Este não é definitivamente um jogo revolucionário, que eleva o hack n’ slash a um novo patamar, mas certamente diverte bastante dentro do seu gênero. Bom seria se todas as empresas de games debutassem com tanto estilo e qualidade quanto a Vigil Games.
Uma coisa que pode desagradar alguns jogadores: Darksiders é um jogo 100% offline. Não há DLCs, nem sidequests, nem multiplayer, nem leaderboards... não há nada online. Eu não ligo para isso, mas tem gente que pode torcer o nariz.

Bom, mas se você der uma chance ao título, vai perceber que Darksiders é um grande jogo, com ótimos momentos, e uma dificuldade inconstante que gera momentos que vão do hell, yeah! ao holy shit! em questão de minutos. A história, por mais rocambolesca que seja, é instigante, e consegue fazer você querer chegar ao final.

Aliás, se lhe serve de chamariz, o final do jogo é absurdamente pintudo, deixando um gancho para uma continuação que tem tudo para ser ainda mais tremendona! Sério, você vai erguer o punho e gritar um fuck yeah! de acordar a vizinhança quando vir o potencial da sequência. Sequência esta que já está confirmada, mas só deve chegar em 2012.

Bom, no ano do fim do mundo premeditado pelos maias, nada mais apropriado do que um novo jogo sobre os Cavaleiros do Apocalipse, não acha? =]
P.S. Se a Vigil fosse trüe, poderia ter dado um jeito de incluir The Four Horsemen, do Metallica, na trilha sonora. Aí era Selo Delfiano Supremo com louvor!
 Parece que foi outro dia que assisti a Velozes e Furiosos 4. Fui procurar a resenha que escrevi na época, crente que ela foi escrita há dois ou três meses e, quem diria, já faz dois longos anos. Essa é a vantagem de ter um site. Ajuda a lembrar quando as coisas aconteceram, caso seu cérebro não tenha essa funcionalidade.=D
Quando o delfonauta pensa em Velozes e Furiosos, com certeza vem à cabeça roubos de milhões de dólares em planos mirabolantes, totalmente dependentes de tecnologia, cofres e sutileza, certo?
“Não, Corrales, você está pensando na franquia X Homens e X – 10 segredos. Velozes e Furiosos é aquele que tem carrões tunados, corridas tremendonas e a maior cara de Need For Speed”, deve ter sido a resposta do delfonauta que não entende ironia.

E eu treplico: pois é, delfonauta que não entende ironia. Velozes & Furiosos 5 não é um filme sobre carrões tunados, mas um filme de assalto com humor, exatamente como a estrelada franquia do Soderbergh.

Duvida? Saca só a sinopse: depois de terem sido sacaneados por um chefe do crime organizado brasileiro, Paul Walker e Vin Diesel decidem chamar toda a turminha dos três primeiros filmes para, juntos, roubarem toda a grana do sujeito. Mas como roubar alguém tão protegido?
É, amigo, este quinto Velozes & Furiosos é tão distante da proposta original da franquia quanto aquele recente Castlevania com sabor de God of War é de todos os outros anteriores. Isso é ruim? Não necessariamente, mas convenhamos que não é o que alguém que comprou ingresso para assistir a algo chamado Velozes & Furiosos quer assistir.

Em determinada cena, lá pela metade do filme, a turma precisa de um carrão, e eles vão encontrar a patota dos tunados brasileiros e desafiam o pintudão local para uma corrida onde o vencedor levaria o carro do perdedor. O Vin Diesel até solta um “home sweet home” nessa cena, enquanto eu pensava “agora sim. É isso que os fãs querem ver”. Por algum motivo, no entanto, o diretor Justin Lin optou por não mostrar a corrida, e cortar direto do antes para o depois.

Em outro momento, próximo ao final, os quatro grandes motoristas dos quatro primeiros filmes se desafiam para uma corrida. É um momento que poderia ser totalmente hell, yeah, mas acaba rápido e é mais truncado do que emocionante.

Sim, temos algumas cenas de ação muito boas, mas elas estão mais para tiroteios e explosões do que para carrões e velocidade. De novo, não é ruim, mas é estranho para a franquia. De velocidade mesmo, temos apenas o clímax – e esse sim é tremendão, embora não seja uma corrida, mas uma perseguição.
Independente da mudança de gênero, Velozes & Furiosos 5 segue sendo o que sempre foi: um filme divertido, mas genérico, e que não vai mudar a vida de ninguém.
  
CURIOSIDADES:
- Não saia da sala assim que os créditos começarem e você será brindado com uma ponta da Eva Mendes e com um momento totalmente “Marvel Comics”.
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